Laboratório de Jogos de Linguagem – LaJoLi
Criado em 2016, o Laboratório de Jogos de Linguagem (LaJoLi), vinculado à Universidade de Pernambuco – campus Garanhuns, nasceu do desejo de responder a um desafio recorrente nas práticas pedagógicas de Língua Portuguesa:
(i) como transpor saberes linguísticos produzidos na universidade para a realidade concreta da escola básica, de modo que esses saberes sejam não apenas compreendidos, mas verdadeiramente apreendidos pelos alunos?
À época, os pesquisadores envolvidos no projeto inicial partilhavam preocupações quanto à dificuldade de se converter os conhecimentos teóricos da linguística em práticas pedagógicas acessíveis, envolventes e compatíveis com os múltiplos contextos de aprendizagem. Essa inquietação provocou os pesquisadores a sistematizarem diagnósticos preciso — realizado por meio de instrumentos como a diagnose qualitativa e o pré-teste padronizado — que permita mapear os saberes prévios, as dificuldades e as potencialidades dos alunos. Com base nesse diagnóstico, desenvolve-se diferentes práticas inovadoras que possam vir solucionar, de maneira criativa e significativa, as dificuldades dos alunos no ambiente escolar.
Nesse cenário, o LaJoLi foi concebido como um ambiente de criação, experimentação e análise de jogos pedagógicos manipuláveis voltados ao ensino de Língua Portuguesa, sob uma lógica que privilegia a aprendizagem significativa e a formação crítica do sujeito. A proposta do Laboratório é tensionar os limites da didática tradicional e promover uma reconfiguração metodológica que integre fundamentos científicos e inovação pedagógica, concebendo o jogo não como simples recurso motivacional, mas como estrutura epistemologicamente elaborada para a mediação de conteúdos linguísticos complexos.
As ações do LaJoLi são orientadas por princípios que se ancoram em três pilares:
(1) a aprendizagem significativa segundo Ausubel (2000), que pressupõe a integração de novos conteúdos a estruturas cognitivas já existentes por meio de vínculos substantivos;
(2) a transposição didática, conforme Chevallard (1991), que implica reelaborar saberes científicos em saberes escolares ensináveis; e
(3) a centralidade das práticas de linguagem, como estabelecido pela BNCC, compreendidas como formas de atuação do sujeito em práticas sociais concretas.
Ao longo dos anos, o LaJoLi consolidou-se como um espaço inovador que busca ressignificar o uso de materiais lúdicos em sala de aula por meio da criação de jogos pedagógicos que articulem intencionalidade didática, objetivos curriculares, habilidades cognitivas superiores e experiências de linguagem contextualizadas. Cada jogo concebido no Laboratório nasce a partir de um diagnóstico de necessidades de aprendizagem, é validado em contextos reais de ensino e acompanha registros reflexivos e orientações metodológicas que visam instrumentalizar o professor para uma prática crítica e consciente.
Além disso, o LaJoLi opera sob a convicção de que os jogos não apenas favorecem a compreensão de conceitos linguísticos abstratos, como também promovem a metacognição, o desenvolvimento da autorregulação da aprendizagem e a consolidação da memória de longo prazo — aspectos largamente discutidos pela neurociência educacional (Medina, 2014; Conzensa & Guerra, 2011). Essa concepção reforça a necessidade de compreender os jogos pedagógicos manipuláveis como tecnologias educacionais de base científica, que catalisam o processo de ensino-aprendizagem ao integrar emoção, cognição e linguagem em experiências significativas.
Em síntese, o Laboratório de Jogos de Linguagem da UPE/Garanhuns constitui-se como uma proposta epistemologicamente consistente e pedagogicamente transformadora. Ao produzir, validar e socializar práticas de ensino inovadoras baseadas no jogo, o LaJoLi contribui para a construção de uma educação linguística crítica, reflexiva e comprometida com a democratização do saber e a valorização da escola pública como espaço de criação, não apenas de reprodução de conteúdos.